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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O QUE SERÁ DO RIO DE JANEIRO?



Todos nós que moramos no estado do Rio de Janeiro, principalmente na região metropolitana estamos vivendo momentos de pânico e terror, uma situação de guerra, onde encontramos a polícia fortemente armada com equipamentos cedidos pela marinha (como vimos nesta quinta-feira dia 25-11) e agora com o apoio logístico do exército e da aeronáutica. Assistimos ao vivo a ação da polícia na Vila Cruzeiro (Complexo da Penha) e ficamos chocados com o número de traficantes que fugiam da localidade, mas qual é o motivo de termos tantos bandidos na Vila Cruzeiro? Vimos que eles fugiram para o Complexo do Alemão, nos perguntamos como estarão os moradores deste complexo? Será que eles se sentem seguros? E agora qual é a quantidade de traficantes que estão lá?
Todos nós que somos moradores, que gostamos do Rio e que torcemos por dias melhores estamos aflitos por tudo que está acontecendo, mas não devemos ficar inertes com tudo que vem acontecendo. Até a manhã desta sexta-feira (26-11) temos o seguinte quadro de ataques:




Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/11/mapa-dos-ataques-no-rio.html - Informação retirada no dia 26-11 às 11:30h.


É enorme o número de ataques, o efetivo de policiais que estão colocando sua vida em risco é de mais de 21 mil, em comparação, o coronel informou que o efetivo é quase o dobro do utilizado para pacificar o Timor Leste. "Participei três anos das Nações Unidas e foram necessários 12 mil homens para pacificar o país inteiro", disse o coronel Lima Castro. Segundo o próprio coronel, desde domingo (21) foram registrados 96 veículos incendiados, 44 armas e 8 granadas apreendidas, além de grande quantidade de drogas e material inflamável. Além disso, a PM informou que até o momento foram 192 presos e 25 mortos em confrontos e três policiais feridos levemente.
Neste texto não vou criticar em nenhum momento a ação da polícia, minha crítica é para o poder público, a falta de inteligência de ação deste poder. O Rio de Janeiro vive um momento especial no cenário internacional (tirando a última semana), teremos a final da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A maior exigência tanto da FIFA quanto do COI (Comitê Olímpico Internacional) é em relação a segurança, desde então, tem sido intensificado na cidade do Rio as implantações da UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Porém estas implantações vêm seguindo um padrão estão sendo feitas em regiões próximas a onde serão instalados os equipamentos olímpicos e em regiões de grande apelo turístico. Na próxima imagem veremos onde estão localizadas as UPPs:

Fonte: http://spiritosanto.wordpress.com/page/2/?pages-list – Retirado no dia 26-11 às 11:50h.

Percebemos que todas as unidades instaladas estão dentro do eixo-esportivo para a Copa e Olimpíada, exceto a UPP do Batan em Realengo (sua implantação tem haver com a retirada da milícia do local). Ou seja, a “tal” política de segurança pública na verdade é uma política de policiamento que busca atender um determinado público em detrimento de outros. As UPPs estão localizadas na Zona Sul (área turística), na Cidade de Deus (próxima a Barra da Tijuca, que é uma área turística e onde estarão localizados grande partes dos equipamentos olímpicos), na área da Tijuca (onde está o complexo do Maracanã com todo o equipamento esportivo) e no Centro do Rio (onde temos grande circulação turística que chegam a cidade).
O restante da cidade vive na mesma situação de antes, sem nenhuma ação do poder público. Podemos identificar a formação de duas cidades dentro de uma, uma mais segura e outra a mercê do tráfico armado. Outra situação é de que em todas as tomadas de comunidade para a implantação das UPPs não tiveram grande apreensões de armamento e nem houve grande prisões de traficantes. Então, estes traficantes se refugiaram em outras localidades, como a Zona Norte, Subúrbio e Baixada Fluminense.
Gostaria de terminar este texto (desabafo) como comecei o mesmo, com a seguinte pergunta: “O QUE SERÁ DO RIO DE JANEIRO?” Outras reflexões se fazem necessárias como qual é o papel da população? Como devemos agir para cobrar dias melhores? Será que o aumento do efetivo policial é a solução? Será que esta não é apenas uma ação momentânea? Até por que depois de algum tempo quando o policiamento voltar ao normal, será que não termos novos ataques? O que necessitamos para acabar com essa situação de insegurança que o Rio vive? Será que investimento em educação como ocorre em todos os países desenvolvidos e nos países que estão crescendo no cenário mundial são necessários? Logicamente que todos nós queremos a Copa e as Olimpíadas no Rio de Janeiro, mas será que só as localidades mais ricas e que irão receber os equipamentos esportivos merecem melhoras?

DESCULPA SE ESTE TEXTO NÃO FOI MUITO COERENTE COM O QUE VOCÊ PENSA SOBRE TUDO QUE ESTÁ ACONTECENDO, SE TEM ALGUM ERRO DE ESCRITA OU SE PARECE MAIS UM DESABAFO DO QUE UM TEXTO CRÍTICO. MAS PEÇO QUE TODOS COLOQUEM SUAS OPINIÕES PARA QUE POSSAMOS CRIAR UMA FORMA DE AÇÃO E QUE DESTA FORMA NÃO NOS TORNEMOS SERES IMÓVEIS E NÃO-ATUANTES DIANTE DE TUDO QUE ESTÁ OCORRENDO.

Por: Thiago Coutinho Rodrigues

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novo campo para a cultura no Rio de Janeiro

Socializando a informação. Não vai dar para eu participar, mas o caminho é por ai..

Prezados(as),

É com grande alegria que convidamos grupos, projetos, pesquisadores e agentes culturais com ação em comunidades e territórios populares de toda metrópole do Rio de Janeiro, a participarem da reunião de formação de nosso novo grupo de trabalho. A missão deste grupo será pensar a articulação de políticas públicas mediadas pela cultura nesses espaços. Este processo será coordenado pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Estado.

A reunião será coordenada pelo Assessor Especial de Cultura e Território da Secretaria Sr. Marcus Vinícius Faustini, com a presença do Secretário de Assistência Social e Direitos Humanos Sr. Ricardo Henriques.

Cultura e Território é uma tecnologia social de alto impacto na vida local das comunidades, sejam bairros, favelas, morros, UPPs e etc. Acreditamos que esta articulação pode contribuir na execução das políticas públicas, frequentemente fragmentadas. Alargando assim, o escopo de recursos para as ações culturais, e definindo um campo mais claro na relação com o poder público, sobretudo para quem trabalha a cultura como forma de mediação social.

Com a coragem que sempre marcou as ações de nossa equipe na luta pela radicalização da democracia convidamos vocês para mais esta luta.
Grande abraço,
Marcus Vinícius Faustini

PS: Para melhor podermos recebê-lo(a) pedimos que faça a sua inscrição através do endereço :
http://www.surveymonkey.com/s/GrupodeTrabalhoCulturaeTerritorio

A reunião será no dia 17 de agosto
Horário: 18:30 hs
Endereço: Praça Cristiano Ottoni s/n, 6º. andar, sala 628
Prédio da Central do Brasil
Maiores informações 2334-5542 (Marta) ou 8685-8426 (Luciano).

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Guias Afetivos




O Marcos Faustini é fera. Estou participando do APALPE e recomendo esse curso para todos que buscam linguagens para expressar a vida que nos atravessa. Refinar nossa capacidade de comunicação atraves da utilização de várias linguagens é um caminho para ampliarmos nossa habilidade de tecer relações sociais.

Se permita descobrir o novo.
Existe um mar de possiblidades te esperando.

Plataforma Política Cultural do CUCA DA UNE para o período eleitoral e pós-campanha




"Ser cidadão não é viver em sociedade. É modificá-la."

Augusto Boal


PRESSUPOSTO


O Circuito Universitário de Cultura e Arte – CUCA da UNE, tem atuado na compreensão da Cultura em três dimensões de ordem ética, estética e econômica. Ética: onde o ser social tem a possibilidade de atuar de forma dialética com a realidade na qual ele também esta inserido. Estética: para a qual a produção de bens simbólicos e imateriais criam sentido ao mundo. E Econômica: entendendo cultura enquanto relação social entre indivíduos e sociedade e, por isso, constituída em seus níveis de relação de produção econômica e de trabalho.


“Devemos estetizar a política e politizar a cultura”. Estetizar a política é buscar o bem comum pela produção de emoções em novas formas e conteúdos, compreendendo o fazer cultural como também uma ação política.


Propor uma política cultural para o período eleitoral e pós-campanha é dialogar com o momento atual. E devemos ver garantido no programa dos candidatos, mas, sobretudo, junto a nós próprios eleitores, o entendimento de políticas públicas efetivas de cultura em nosso país.


AVALIAÇÃO


A grande conquista do governo Lula, a partir da gestão do músico Gilberto Gil no Ministério da Cultura, e continuada pelo atual ministro Juca Ferreira, foi interpretar a cultura em sua abrangência, trazendo-a para o centro do debate e da preocupação nacional.


Como avanços conquistados, podemos citar:


· Incentivo a partir de programas continuados de investimento como o Cultura Viva, a exemplo da experiência dos Pontos de Cultura. Esses programas geraram protagonismo e autonomia para uma rede cultural;


· O incentivo à formação de público e consumo de cultura por meio do Vale Cultura para os trabalhadores;


· Os esforços na regulamentação e no financiamento da cultura por meio de uma Nova Lei de Fomento a Cultura, a partir dos debates realizados na 1ª e 2ª Conferências Nacional de Cultura, entre outros.


O desafio agora é não somente garantir a continuidade dessas ações, mas seus desdobramentos em novos paradigmas. Ou seja, expandir uma política cultural para milhões de brasileiros, com autonomia e protagonismo social.


DIRETRIZES:



1- Cultura e Educação


O Ministério da Educação e Cultura - MEC permaneceu assim até o ano de 1982, quando então foi criada uma estrutura própria para a Cultura - o MinC. Apesar destas duas instituições terem suas especificidades próprias, não realizam ações interministeriais voltadas à transversalidade entre cultura e educação. Desse modo perdem a complementaridade entre a cultura (quando ignora o aspecto critico sobre o pensar e fazer cultural) e a educação (quando não enxerga a cultura como aspecto de interpretar e estar no mundo).


Ø Ação: Programa Nacional de Cultura e Educação


· Desenvolver um programa envolvendo a regulamentação das disciplinas de arte no ensino fundamental (fazer e crítica).


· Formatar e executar um amplo projeto cultural nas instituições de ensino, ampliando as opções culturais dos estudantes e abrindo a escola para a comunidade.


· Linhas e editais específicos que fomentem ações transversais entre cultura e educação.


· Promover o diálogo e crítica freqüente entre universidade e comunidade através de programas de extensão universitária.


· Aprovação da Lei Griô, reconhecendo mestres da tradição oral como profissionais de notório saber, permitindo a esses, inclusive, ministrar atividades no campo da educação.


· Regulamentação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino da cultura e história afro-brasileira no currículo escolar.


2. Cultura como instrumento de emancipação social



O diálogo entre Estado e sociedade civil busca maior participação na elaboração e execução de políticas públicas na área. Os movimentos sociais ganham sua legitimidade perante o Estado, e este consegue chegar a um público que, sozinho, não conseguiria alcançar. Esta autonomia deve garantir protagonismo social em torno de sua emancipação e não apenas como inclusão social.


Ø Ações:


· Transformação do Programa Cultura Viva em uma política de Estado - através da criação de um marco legal específico-, bem como sua ampliação em volume de recursos investidos e abrangência geográfica do Programa.


· Protagonismo Juvenil: subsídio financeiro - através da concessão de bolsas, por exemplo - a jovens agentes culturais, para que eles tenham condições de desempenhar ações voltadas à cidadania, autonomia e empoderamento social.


· Criação de políticas transversais de prevenção ao uso de drogas e redução de danos a partir de ações culturais. Em especial o crack, cujo uso vem se alastrando entre a juventude, diminuindo o potencial dessa grande parcela da sociedade para a fruição cultural e vida em comunidade.




3. Cultura, Comunicação e Democracia


Nos dias de hoje, frente às novas tecnologias da informação, Cultura e Comunicação tornam-se cada vez mais áreas transversais, demandando políticas públicas igualmente relacionadas


Em busca da ampla circulação do conhecimento e da garantia do acesso à cultura e educação, é preciso uma política pública para cultura e comunicação efetiva. Que tal política atualize e regulamente a atual legislação, dialogando com a sociedade e a realidade cultural brasileira.



Ø Ações:


· Revisão da atual legislação de Direito Autoral (Lei nº 9610/98), que criminaliza práticas culturais largamente utilizadas pela sociedade (como o xerox de trechos de livros) mesmo para fins acadêmicos e não comerciais.


· Implementação do Plano Nacional de Banda Larga em regime público, garantindo acesso à rede mundial de computadores em todo território brasileiro. Também a legalização de pólos comunitários de acesso à internet (a exemplo de telecentros e das milhares de lan houses espalhadas pelo país)



· Implementação da diretriz 22 do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, que propõe a “garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos”.


· Regulamentação dos artigos 221 e 223 da Constituição Federal, que estabelecem como prioridade para rádio e TV uma programação com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, e ainda o estímulo à produção independente e regional, além da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal, respectivamente.


4. Produção e Acesso aos bens culturais


A noção de cultura hoje engloba não apenas a arte tradicionalmente reconhecida, mas também os processos, saberes e tradições culturais da sociedade brasileira. Assim, o acesso às diferentes manifestações culturais em sua ampla diversidade é um direito cultural e também um direito cidadão e educacional. Além disso, garantia do direito à cidadania passa não apenas pelo acesso aos bens culturais, mas também pela produção de informação e subjetividade, o que depende do acesso aos meios de produção.


Ø Ações:


· Descentralizar e promover o acesso aos meios de produção e bens culturais possibilitando maior produção de linguagem e estética de/para/com a juventude;


· Estímulo à criação de editais e linhas fomento para a produção cultural, formação em gestão cultural para jovens, universitários e pontos de cultura;


· Subsídio e defesa da meia-entrada estudantil como forma de garantir o benefício sem onerar as pequenas produções;


· Apoiar o Vale Cultura para o trabalhador, objetivando a democratização do acesso aos bens culturais e a formação de público para a cultura.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

8 anos do Mate Com Angu - nesta quarta!



8 anos do Mate Com Angu - nesta quarta!
Venha comemorar com a gente! Cinema, forró e festança na lua cheia!
Cineclube Mate Com Angu apresenta a sessão Infinito - Cinema é pra celebrar!
Aniversário de 8 aninhos de manguinhas de fora
# Filmes pra cosquinha na alma
# Circo mucho loco com Los Tchatchos
# Forró pé-de-serra pancadão com o Trio Dominguinhos do Recife
# Festa com a DJane Pené Deluxe no comando
A poeira vai subir - venha pra se esbaldar!
Na Lira de Ouro
Rua Sebastião de Oliveira, 72, Centro de Caxias, próximo ao calçadão.
20h30min
Entrada franGa
www.matecomangu.com.br

terça-feira, 20 de julho de 2010

A leitura nas eleições de 2010



O menino olha o livro, mira-o e parte em sua direção. Alguém lhe deu o livro num momento de sua vida, apresentou-lhe a história e hoje ele mergulha no rico universo da literatura. Um encontro maravilhoso, repleto de descobertas e possibilidades, que serão aumentadas com outras leituras. Pois é, bom que o menino foi apresentado aos livros e desenvolveu o hábito da leitura, pois muitas pessoas não tiveram a mesma sorte dele. Sorte não, oportunidade. O fato é que existem medidas concretas de incentivo a leitura que devem ser colocadas em prática e a sociedade civil precisa cobrar dos governos a sua implementação. Por exemplo, o que os candidatos às eleições de 2010 pretendem fazer pela leitura? Eles conhecem o Plano Nacional do Livro e da Leitura? Pergunte a eles.
O Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) é um conjunto de projetos, programas, atividade e eventos na área do livro, da leitura e bibliotecas em desenvolvimento no país, empreendidas pelo Estado e pela Sociedade Civil. Para que o PNLL atinja seus objetivos e promova avanços significativos na área da leitura, são necessários quadros políticos que conheçam o tema e dediquem seus mandatos a desenvolvê-los.
Numa época de debates políticos fracos e discursos vazios, onde o marketing do candidato é mais importante que suas idéias, cabe a sociedade civil pautar o debate e dizer quais são suas preocupações e reivindicações.
Por isso, democratizar a leitura é importante e colocar o tema nas eleições de 2010 também. O envolvimento do maior número de pessoas colocando a leitura no centro do debate, conversando com os familiares, amigos, em casa, no trabalho, na igreja e nas reuniões políticas, dará força ao movimento e sua presença na opinião pública. O desafio está posto. Quem topa?

Saiba mais sobre o Plano Nacional do Livro e da Leitura no site http://www.vivaleitura.com.br/pnll2/default.asp

segunda-feira, 12 de julho de 2010

APALPE_01



Sábado de manhã e eu no ponto esperando o Piabetá x Passeio. Independente do lugar que eu vá, seja longe ou perto, programado ou não, a viagem sempre começa nesse ponto. Quase sempre definimos nosso trajeto com locais a serem visitados, tempo de permanência neles e nos deslocamentos feitos, porém a partir do ponto inicial, nesse caso o ponto de ônibus, a partícula, nesse caso eu, pode ter seu percurso alterado devido o contato com algum vetor que atravesse a trajetória inicial prevista. E o dia começou dessa forma. Um amigo que seguia para a Barra da Tijuca me deu uma carona até Bonsucesso. De lá peguei um ônibus para a lapa, e desta peguei o 410 até o Humaitá. É o primeiro dia do APALPE, um curso intensivo com dez encontros aos sábados, onde a turma terá contato com várias linguagens artísticas, como vídeo, artes cênicas, grafiti, rap, literatura e outros, além de sermos encorajados a resolver vários desafios propostos. Será um mergulho no rico universo da criação e produção cultural. A idéia é que os participantes elaborem produções artísticas que relacionem corpo, território e palavra. No dia 12 de setembro, os participantes realizarão uma grande intervenção urbana na cidade. Estou pra lá de empolgado...

Cheguei 15 minutos antes de começar a oficina, mas não pude participar, pois não estava com roupa apropriada, que deveria ser bem leve sem estampas. Um moletom e uma camisa de malha. Assim como eu, outras pessoas não puderam participar e somente observamos. Faustini, idealizador e coordenador do projeto, organizou uma roda e pediu para que os participantes tirassem os sapatos afim de ficarem mais a vontade. Ele falou que o processo criativo necessita de procedimentos, técnicas e limites claros, pois a criação precisa ser de uma direção bem definida para gerar o resultado esperado. Por exemplo, quando se abre o concurso para samba enredo das escolas de samba, os compositores já conhecem os procedimentos e o formato exigido pela comissão julgadora. A criatividade deles é livre para delirar dentro dos limites preestabelecidos. Existem formas e procedimentos para a criação artística e o desafio é torná-los democráticos, ao ponto de todos dominarem os processos de criação e não apenas um grupo, que freqüentemente é visto pela sociedade como “os iluminados”.

Faustini pediu para os participantes da dinâmica escolherem três pontos no auditório e caminharem sobre eles, executando os comandos solicitados. Caminhar pela trajetória de forma leve, pesada e densa. Alto e Baixo. Feio, horroroso, asqueroso e hediondo. A forma de caminhar mudava, mas a trajetória não. Existiam limites.

Faustini falou que não cabe a arte representar mais nada, até porque a representação está em crise. A arte deve criar ambientes, promover estímulos e desenvolver dispositivos que disparem outras ações. Gostei disso. Dessa forma a arte não tem um autor, um sujeito, e sim mediadores de um fluxo que atravessa varias pessoas de maneiras distintas, provocando outras ações imprevistas e incalculáveis. Não existem essências a serem representadas e sim experiências e serem realizadas.

Essa dinâmica rolou das 10:00 a 13:00 e em seguida serviram o almoço. Era um marmitex com arroz, feijão, frango e salada. Bati um pratão! Todos almoçaram bem rápidos, pois logo após aconteceu uma palestra com B-A sobre a plasticidade da palavra. Ela falou sobre a linguagem verbal e a linguagem visual, e como essas duas eram interligadas em outras civilizações. Sumérios, egípcios, chineses e poesia concreta foram alguns dos pontos por onde passaram seus argumentos. Após a explanação, fomos convidados a realizar uma atividade prática. Com tinta guaxe e nankin, todos pintaram e desenharam uma palavra mencionada no texto sobre iorgute elaborado durante a oficina matinal. O resultado foram oito cartazes de 5 metros de comprimento por 1 metro de largura, cheios de palavras desenhadas, onde letras e imagens davam formas aos sentimentos despertados com as lembranças de iorgutes em nossas vidas. Um belo trabalho.

Como trabalho para casa, ficou a tarefa de levar 10 objetos vermelhos para o próximo encontro. Adorei tudo e espero que se torne cada vez mais interessante à medida que o grupo vai se entrosando e criando laços de afetivos. Faustini emitirá mais comandos e exigirá muito da gente, pois acredita em suas idéias e no grupo que selecionou. Ninguém sabe o resultado dessa empreitada e somente tenho uma certeza: darei meu melhor.

http://apalpe.wordpress.com/

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A Palavra da Periferia - APALPE






Coordenado por Heloísa Buarque de Hollanda e Marcus Vinicius Faustini, o projeto vai dar vez e voz para a periferia do Rio.

O ponto de partida para o trabalho será o “Guia afetivo da periferia”, romance que revela as impressões de Faustini, em suas andanças pela cidade do Rio.

A ideia é fazer com que os participantes elaborem intervenções artísticas, expressões de sua relação com a cidade, por meio de linguagens diversificadas.

De 10 de julho a 12 de setembro, os inscritos participarão de oficinas, debates, palestras, visitas guiadas, entre outras atividades.

Artistas e ativistas sociais vão apresentar as diversas linguagens, de Literatura a Hip-hop, passando pelas Artes Plásticas, culminando na realização de um grande evento na cidade.

Coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PACC/UFRJ), Heloísa Buarque de Hollanda destaca o trabalho sobre a palavra que será feito no Apalpe.

Já Marcus Vinicius Faustini explica o porquê do incentivo à produção de novos guias para mapear, afetivamente, o território da cidade.

Eis a apresentação do Apalpe feita por seus coordenadores, os pais do projeto:

O que é o Apalpe?
Heloísa Buarque de Hollanda – O Apalpe tem um significado diferente para cada um de nós dois. Eu sou uma professora de Literatura crente na palavra. Acredito piamente na palavra. A palavra é uma carta de alforria. Sabendo lidar com ela, uma pessoa é livre e poderosa. O Apalpe, para mim, é sobre tudo escrita, não é tanto memória. É mais o exercício da palavra em relação à experiência de cada um. Mas não é qualquer palavra. É uma palavra que vai ser muito trabalhada. Vamos fazer oficinas, palestras, grupos de motivação; vamos dar todos os recursos para as pessoas fazerem um uso competente da palavra. Quando a pessoa conquista a palavra, conquista o mundo.

Marcus Vinicius Faustini – O Apalpe é uma tentativa de criar uma relação com as palavras na cidade plasticamente. É a palavra como estética, que se reconhece. O Apalpe é um projeto-ação designer para se relacionar com a cidade e com as pessoas, a partir da palavra. Quem vai procurar o Apalpe é quem quer expressar a existência. O Apalpe é o lugar do encontro, aonde a cidade se encontra. Queremos reunir pessoas de diferentes lugares da região metropolitana do Rio de Janeiro.

E como será o projeto?
Faustini – Vamos ter oficinas de criação a partir de elementos externos. Criar sobre o território é criar sobre elementos externos. Temos de fugir da representação. A representação parte da ideia de que existe um ser humano em essência. E a existência precede a essência. O Sartre já resolveu isso há muito tempo. A tentativa desse projeto é de pensar linguagem e território. É preciso romper com essa ideia de que o pobre como criador deve partir de sua vida melodramática. E os mediadores vão provocar isso. Vamos passar por um “looping” de oficinas. São dez sábados num mergulho de criação. E no dia 12 de setembro faremos uma intervenção na cidade.

Heloísa – Estou atenta ao desenvolvimento da expressão. Acredito que se trata de um gesto político. Ter a palavra é ter a voz. Meu projeto é esse: que as pessoas realmente consigam instrumentalizar bem a palavra para poder argumentar e fazer as suas demandas. E o Faustini está muito ligado à questão do território e de memória. E a chave que ele encontrou de memória afetiva é fantástica. Ele não trabalha com uma memória fria, contada, mas uma memória experimentada. Isso faz uma grande diferença, principalmente pelo uso da palavra. Na Bíblia está escrito: “No princípio era o verbo” e eu acho que no fim também vai ser o verbo.

O Apalpe vai seguir o modelo do Guia Afetivo da Periferia, o livro do Faustini. A ideia é que cada um faça o seu “Guia Afetivo”. Como surgiu o livro?
Heloísa – Ouvia as pessoas falarem sem parar sobre os movimentos da periferia, sobre os talentos da periferia etc. Mas eram sociólogos, antropólogos, que mal tinham pisado na periferia. Eu pensei: está na hora de dar voz aos protagonistas destes movimentos. Então, abri essa coleção, que será uma coleção de 30 volumes, na qual as pessoas contam sua experiência, ou seu projeto cultural, ou sua própria experiência pessoal. São livros escritos por líderes. Quando o Faustini me trouxe esse texto, me apaixonei imediatamente. Eu acho que isso vai ser muito exercitado no Apalpe.

Faustini – O Apalpe é uma tentativa minha de esgarçar o “Guia afetivo da periferia”. Demorei mais de 30 anos para me encorajar a escrever um livro. Eu venho de periferia e nunca somos encorajados a escrever. Somos mais encorajados a falar na periferia. Eu penei muito até encontrar como artista a precisão do que eu queria falar. Quando pensei no Apalpe, pensei em uma maneira de as pessoas se aproximarem do meu livro. Fui vender o meu livro na rua. Vejo que a arte, hoje, não deve criar representações. Meu livro não é uma representação. Meu livro é um dispositivo. Se fosse escrever um romance, talvez não conseguisse. Mas como criei um dispositivo, que foi escrever sobre ruas, consegui. Então, pensei: meu livro deve ser um dispositivo de criação para outras pessoas. É o meu fundo comunista, querendo ser comum a todos.

Por que incentivar a criação de novos “Guias da periferia”?
Faustini – O território é tudo, menos o mapa. Aceitamos, na representação de pobre no Brasil, que o homem era a terra. Euclides da Cunha fez isso em os Sertões, por exemplo. Em Vidas Secas, Graciliano Ramos fala da subjetividade de Fabiano misturado àquele sertão. O homem do povo já foi o homem da terra. O homem de origem popular da cidade é o seu território. Estou seguindo uma linha de interpretação literária. Eu não estou fazendo um projeto social. Estou fazendo um projeto estético com designer social.

Heloísa – O Faustini quer ter esse mapa da periferia, como ele fez de forma brilhante a memória do seu trânsito pela cidade, quando jovem. O Faustini é muito político, quis dar essa chance para muita gente e, além disso, ter o resultado desse mapeamento do afeto territorial das pessoas.

Desde o século XIX, personagens da periferia vêm sendo retratados na Literatura Brasileira. Qual é a diferença do retrato feito dos personagens da periferia para seu autorretrato?
Heloísa – Acredito que há diferença sim. É quase inevitável que os traços fiquem em preto e branco, já que a pessoa não conhece aquilo bem. Não que se faça isso sempre, mas acontece. Quando se trata de um autorretrato, há um carrego de nuance muito grande. A diferença entre essas literaturas é mais de intensidade de nuances.

Faustini – Eu só li livros de pessoas de origem de classe média. Demorou muitos anos para eu ler livros de pessoas de origem popular. E quero ouvir mais gente de origem popular. E o Rio de Janeiro popular para mim, hoje, não é apenas a favela, a comunidade, o conjunto habitacional. É também a rua, a Lapa. O popular é a maior invenção da cultura brasileira. Não quero que haja apenas pessoas da classe média escrevendo sobre o popular. Quero gente de origem popular escrevendo sobre o popular. Está na hora de termos intelectuais de origem popular. Esse é o meu comunismo. E aí o Brasil vai ficar mais interessante assim.

E como surgiu essa parceria?
Faustini – Eu sou um menino de origem popular que sempre reverenciei os mestres da cultura brasileira. Procuro a colisão afetiva.

Heloísa – O Faustini é fissurado em território. E sou sou mais fissurada em palavra. Por isso, acredito que vai dar uma boa química. Eu seguro a palavra e Faustini o tema, apesar de ele ser um exímio usuário da palavra. Ele escreve muito bem.

E o que vocês diriam a quem está interessado em participar do Apalpe?
Heloísa – Vai fundo porque vai dar certo. Temos sonhos gigantescos para esse projeto.

Faustini – A obra é criar as estratégias para que todos façam obras.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

1º Arraiá Literário de Biblioteca Comunitária Solano Trindade


CAROS AMIGOS, REPASSEM POR FAVOR!






1º Arraiá Literário da Biblioteca Comunitária Solano Trindade



Dias 02, 03 e 04 de Julho – 18hs



Rua AK Lote 14 Quadra 48 – Cangulo- Duqe de Caxias




Barracas típicas

Quadrilhas

Distribuição de Livros

Pescaria Literária

Bingo

Grande Fogueira

Apresentações Artísticas



Maiores informações:

9743- 6627 e 7818-9654 id 119*79341(Antonio Carlos).



www.bibliotecasolanotrindade.blogspot.com
RR

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Clube do Livro: Ser Leitor - que diferença faz?



Uma professora apaixonada pela leitura, uma proposta inovadora de formação de leitores e uma turma de jovens ávidos por descobertas. Esses foram os ingredientes necessários para a criação do Clube do Livro numa escola estadual, o liceu Nilo Peçanha, de Niterói, em 1982. A proposta consistia em ofertar diversos livros aos alunos, que deveriam escolher os exemplares que lhes agradassem, fazer um relatório de suas impressões sobre a leitura e comentá-las nos encontros semanais em sala de aula. A professora sabia que a melhor forma dos alunos conhecerem a língua materna não era pelas temidas aulas de gramática, e sim pelo encontro com a literatura em sua forma plena, o encantamento pelas histórias, a presença do prazer na leitura, a liberdade para escolher o que será lido e o contato direto com os maiores conhecedores de nossa língua: os escritores. O aumento da intimidade com os livros e a boa literatura possui muitas conseqüências, entre elas nota-se uma maior capacidade de organizar as idéias e expressá-las de forma concisa, objetiva, coerente e elegante, tanto através da escrita quanto oralmente. Imagine o impacto da leitura, dos relatórios e dos comentários de 70 livros lidos por alguns jovens, durante um ano, em sua formação! Essa experiência fantástica é narrada por Luzia de Maria no livro O Clube do Livro: Ser leitor - que diferença faz? , editado pela editora O Globo, em 2009. Além da história do Clube do Livro, com direito a relato de experiência dos alunos que participaram na década de 80, a autora também fala sobre a importância de ser leitor no século XXI, visto que, com o advento da internet, a necessidade de receber e emitir mensagens de forma escrita torna-se crucial para um bom desempenho na vida pessoal, profissional e social, pois, caso contrário, corre-se o risco de ficar estagnado por não possuir capacidade de se comunicar com os outros. Luzia também apresenta as recentes descobertas na área da neurociência, do desenvolvimento das conexões neurais e da inteligência, onde se constata que a leitura possui grande importância na vitalidade do cérebro, na prevenção de doenças degenerativas e na garantia de uma velhice saudável. Também fala da importância do professor enquanto principal mediador de leitura de seus alunos e da escola como lugar de efervescência cultural, onde o estímulo a leitura e a oferta de livros seja uma constante no seu cotidiano. Essa escola e esse professor deverão apresentar aos alunos o universo da literatura e toda a sua riqueza, auxiliando-os a realizarem suas próprias escolhas de leitura e a tornarem-se leitores autônomos. Luzia toca em todos esses pontos, além de muitos outros, com a sutileza de quem ama os livros e com a autoridade de quem já possui mais de vinte anos discutindo e atuando na formação de leitores. Para completar a grandeza dessa obra, Luzia atravessa todo o seu texto com comentários sobre obras literárias que embasam seu raciocínio, provocando curiosidade sobre esses livros e instigando nosso desejo de lê-los, pois, afinal, como diz a autora “um bom livro é aquele que nos empurra para outros”.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

BoraCaxias entrevista Slow na rádio kaxinawá



Nesta quarta-feira, 09/06, das 19:00 as 21:00, bateremos um papo com Slow, rapper, membro do Zulu Nation Brasil, do Coletivo Anti-cimena, do grupo Esquadrão da Zona Norte e etc... O cara é agitado!

Rádio Kaxinawá 100.1 (Vila São Luis) e on line pelo Canal Interativo Kaxinawá http://febfuerj.ning.com/

Venha participar do programa ao vivo no estúdio da rádio. É só chegar!!!
Rua General Manoel Rabelo s/n° - Vila São Luís – Duque de Caxias - RJ

domingo, 6 de junho de 2010

12º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens



O maior evento da América Latina totalmente voltado para o livro de literatura para crianças e jovens está chegando em sua 12ª edição e acontecerá nos dias 08 a 19 de junho, no Centro Cultural Ação da Cidadania (Rua Barão de Tefé, 75 – Zona Portuária do Rio de Janeiro).

Além dos lançamentos, bate-papos, performance de ilustradores, leitura de obras premiadas, o evento contará, como na edição anterior, com o Espaço de Leitura, local destinado a lançamentos e performance de ilustradores e com três bibliotecas para públicos diferenciados: crianças, jovens e professores/educadores. A grande novidade deste ano será um novo espaço: a Biblioteca FNLIJ para Bebês. Um local que trará literatura para crianças de 0 – 4 anos.

Como em todos os anos o Salão FNLIJ homenageia um país. Neste ano será a Coréia do Sul. Além de um estande com informações na área da literatura sobre esse país e de uma exposição, especialistas, escritores e ilustradores da Coréia do Sul, traduzidos no Brasil, também participarão do evento, com o apoio dos editores brasileiros, para trazerem suas experiências com livros para crianças e jovens.

O primeiro dia do Salão FNLIJ, dia 8 de junho, como no ano anterior, será dedicado à visita exclusiva de professores que, guiados pela equipe da FNLIJ, conhecerão todos os espaços de atividades do evento, bem como o conceito do Salão FNLIJ como ação promotora de leitura, a fim de que possam usufruir melhor quando fizerem a visita posterior com seus alunos.

A entrada ao Salão FNLIJ neste dia é gratuita para os professores da rede pública e privada do Município do Rio de Janeiro, desde que seja feito o agendamento prévio.

A entrada é 4 reais.

domingo, 30 de maio de 2010

Brad, uma noite mais nas barricadas



Uma morte mais
um martir mais
numa guerra suja
um momento mais
pra chorar e sofrer
uma oportunidade mais
para conhecer o poder
e sua feia cabeça
uma bala mais
estraçalha a noite
uma noite mais
nas barricadas.
(Brad Will)

Rebelião Popular em Oxaca, México, 2006.
Quando os paramilitares dão um tiro de fuzil no peito de Brad Will (reporter da CMI), a câmera cai, mas continua gravando. Essa câmera passa de mão em mão, contando a história de Brad e um pouco desse movimento conhecido como anti-globalização. Por trás da câmera estão os amigos de Brad que como ele, se dedicam a mostrar o que não aparece na TV.

Duração de 55 minitos.

Link para ver o vídeo online: http://videohackers.net/videos/download/BradWebPeqPt.mov

Assisti esse filme e ele é realmente muito bom. Ele me provocou sentimentos diversos: raiva, tristeza, esperança, solidariedade, coragem, medo... No final das contas, nos faz pensar sobre o que estamos lutando. Lutamos pela vida e para que ela se realize de forma plena.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Geografia e Anarquismo




O Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres (CELIP), espaço
público de estudos e discussão da Federação Anarquista do
Rio de Janeiro tem o prazer de lhe convidar para a atividade:

"GEOGRAFIA E ANARQUISMO".

Com textos dos geógrafos anarquistas Piotr Kropotkin e
Elisée Réclus.

29/05 - 14h!

Endereço: Rua Torres Homem 790 - Vila Isabel

Referência: Próximo a Escola de Samba Vila Isabel e ao final
do Boulevard 28 de Setembro.

Os textos de discussão e estudo podem ser baixados em:

http://www.alquimidia.org/farj/arquivosSGC/2010051907
Reclus_Origem_da_familia.pdf

http://www.alquimidia.org/farj/arquivosSGC/2010051757O
_Que_a_Geografia_Deve_Ser_KROPOTKIN.pdf

Materiais, Histórico, Conteúdo do CELIP podem ser
encontrados no site da FARJ.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

BoraCaxias entrevista Fábio Pereira na rádio kaxinawá



Nesta quarta-feira, 26/05, das 19:00 as 21:00, bateremos um papo com Fábio Pereira, professor, cineasta e ativista de movimentos sociais.

Rádio Kaxinawá 100.1 (Vila São Luis) e on line pelo Canal Interativo Kaxinawá http://febfuerj.ning.com/

Venha participar do programa ao vivo no estúdio da rádio. É só chegar!!!
Rua General Manoel Rabelo s/n° - Vila São Luís – Duque de Caxias - RJ

122 anos de abolição: Para onde vamos?



A Caixa Econômica Federal, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Promoção da Igualdade Racial e Étnica de Duque de Caxias, o COMDEDINEPIR, têm o prazer de convidar para a ação cultural “122 Anos de Abolição: para onde vamos?”, que será realizado no próximo dia 28 de maio, sexta-feira, das 9:00 às 18:00, no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Livro de Rua no XVIII EFEPe

Nos dias 21,22 e 23 de Maio de 2010 realizar-se-á o XVIII EFEPe (Encontro Fluminense de Estudantes de Pedagogia), na Universidade Estadual Do Rio De Janeiro - UERJ no Campus da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense FEBF . O evento, organizado por estudantes de Pedagogia de todo Estado do Rio de Janeiro , terá como objetivo discutir o papel d@ pedagog@ dentro dos movimentos populares.
O evento discutirá a necessidade e formas de atuação do pedagog@ nos movimentos populares, e como se dá essa relação da educação (formal ou não) como espaço de atuação na desconstrução do sistema social vigente.
O Evento contará com um grupo de discussão coordenado pelo Projeto Livro de Rua. A proposta é discutir o papel do pedagogo na formação de novos leitores no espaço informal, além de debatermos o desafio de construir os Planos Municipais de Livro e Leitura (PMLL).

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ficha Limpa aprovada no Congresso Nacional



Caros amigos,

A Câmara dos Deputados aprovou a Ficha Limpa! Esta é uma vitória incrível para nós e todos os brasileiros. Obrigado a todos que ajudaram a fazer este grande dia se materializar!

Quando a Ficha Limpa foi apresentada, muitos acreditavam que ela nunca iria passar. Até o presidente da Câmara, Michel Temer, disse diversas vezes que não acreditava que existia apoio político o suficiente para aprovar o projeto de lei.

No entanto, eles não esperavam a maior campanha online na história do Brasil. Com milhões de assinaturas, milhares de mensagens enviadas e de ligações feitas - nós tornamos o impossível possível.

E só estamos começando. Meio milhão de brasileiros estão recebendo este alerta. Juntos podemos nos tornar uma grande força para gerar mudanças políticas e sociais em nosso país e no mundo.

A Ficha Limpa ainda não é lei. Ela ainda precisa passar pelo senado e depois receber a sanção presidencial- talvez vamos precisar agir novamente nas próximas semanas, mantendo a pressão para garantir que a Ficha Limpa não seja enfraquecida ou mudada.

Mais de 550.000 pessoas se mobilizaram através da Avaaz. Nós nos tornamos a maior rede virtual de engajamento político na história do Brasil, e parte do maior movimento global online do mundo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sessão Solene do Dia da Baixada Fluminense



Lançamento da Revista Pilares da História nº 10, com palestra da Prof. Dra. Simone Fadel, intitulada “História Ambiental e Baixada Fluminense”; abertura da exposição de pinturas “Duque de Caxias e a Baixada: Ontem e Hoje”; e, também, homenagem a militantes das áreas de História e Cultura.

O evento realizar-se-á no dia 10 de maio de 2010, às 18 horas e 30 minutos, no Plenário Vilson Campos Macedo, na Câmara Municipal de Duque de Caxias, na Rua Paulo Lins, 41 - Jardim 25 de Agosto, Duque de Caxias, RJ.

Campanha Ficha Limpa




Galera,
está rolando a Campanha Ficha Limpa e todos devemos dar nossa contribuição para que esse projeto de Lei se torne realidade.

Click no link e assine o abaixo-assinado on-line.http://www.avaaz.org/po/mobilize_ficha_limpa/?cl=546851254&v=5997

A Campanha Ficha Limpa tem como o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Livro de Rua no Viradão Carioca




O Projeto Livro de Rua tem como proposta a democratização da leitura e irá participar do Viradão Cultural. O Viradão é um evento da Secretaria Municipal de Cultura do Rio, que acontece todos os anos em nossa cidade e conta com diversas atrações culturais. Por isso não poderíamos ficar de fora e escolhemos a Praia de Copacabana, homenageando o poeta Carlos Drummond de Andrade.

Lá, ao lado de Drummond, no posto 6, a partir das 10hs da manhã, montaremos nossa biblioteca, onde você poderá escolher algum livro pra ler, levar seus livros para serem libertados ou simplesmente conhecer um pouco do nosso projeto.

Não custa nada; não tem burocracia. Apenas um compromisso: terminada a leitura, passar o livro adiante. Basta deixá-lo em algum local público.

Veja a programação completa do Viradão http://www.viradaocarioca.net.br/
Conheça um pouco mais do Projeto Livro de Rua http://livroderua.wordpress.com/

terça-feira, 20 de abril de 2010

O dia da Baixada Fluminense na FEBF/UERJ




Dia 27 de abril, 3ª feira:
08h > Palestra sobre “História da Baixada”
Prof Gênesis Torres (IPAHB)

09:30h > Mesa com o tema “Ações educativas pela Baixada”
CRPH, Centro de Memória e Ong Onda Verde


Dia 28 de abril, 4ª feira:
19h > Mesa com o tema “ O que a Baixada tem para comemorar?”
SEPE/Caxias, Subsecretário de Estado da Baixada e Fórum Cultural da Baixada Fluminense

Dia 29 de abril, 5ª feira:
09h > Apresentação do documentário “ Praça do Pacificador’’
15h > Grupo de Teatro de Paracambi.
18h > Exibição do filme : “ Nunca fui mas me disseram”, seguido de debate sobre o filme.
19:30h > Movimento APA FUNK.


Local
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ)
R. General Manoel Rabelo, s/n. Vila São Luís - Duque de Caxias - RJ
Telefone: (21) 3651-8278

sábado, 17 de abril de 2010

O IGUACINE – 3° FESTIVAL DE CINEMA DA CIDADE DE NOVA IGUAÇU




acontecerá de 15 a 21 de abril de 2010. Realizado pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, é o único festival audiovisual sediado na Baixada Fluminense, e por isso, de grande importância no cenário cultural do Rio de Janeiro. Todas as suas atividades são gratuitas. Além de difundir a recente produção nacional, o Iguacine proporciona o encontro do público com os realizadores e profissionais da área. O Festival acredita na importância de gerar reflexões sobre como os realizadores criam estratégias de criação e produção de suas obras, e como o público interage com elas.

O projeto é uma estratégia de inclusão produtiva e subjetiva dos moradores da cidade, buscando contribuir para o direito ao acesso público de práticas culturais. O Iguacine tem em sua programação as seguintes Mostras: Competitiva de curtas-metragens, Panorama Nacional (longas-metragens convidados), Homenagens (cineasta homenageado) e Bairro-Escola. Promovendo ainda outras atividades, como oficinas e debates.

Confira no site.

http://www.escolalivredecinemani.com.br/iguacine2010/

Caxias no Festival de Cannes


O Diretor de cinema, membro do Cineclube Mate Com Angu, Cacau Amaral, participará do Festival de Cannes, o filme Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos, longa-metragem em episódios totalmente concebido e realizado por jovens moradores de favelas cariocas, foi selecionado para o Festival de Cannes, que se realiza entre os dias 12 e 23 de maio. Além de Cacau o filme é dirigido por Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra, o filme ganhará uma sessão especial na seleção oficial, fora de competição. Carlos Diegues, que produziu o filme ao lado de Renata Almeida Magalhães, estará no júri da competição de curtas-metragens e da Cinefondation, mostra também competitiva de curtas produzidos por escolas do mundo inteiro, cuja seleção ainda não foi anunciada.
Por enquanto, Cinco vezes favela é a única produção brasileira confirmada em Cannes, mas ainda não foram divulgados os títulos das duas seções paralelas: a Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica.

Fonte: André Oliveira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

II Encontro de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil



A Escola de Educação, Ciências, Letras, Artes e Humanidades da Unigranrio mais uma vez vai além da sala de aula e promove o II Encontro de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil, no próximo dia 28 de abril, no auditório Wilson Chagas de Araújo, no Campus I. O objetivo é colocar os alunos em contato com escritores e profissionais renomados na área da Leitura, Literatura e Educação, a fim de promover a atualização e capacitação de mediadores da leitura literária.

A programação do evento, que acontece de 9h às 12h e de 18h às 21h30, inclui palestras e debates com escritores, professores e educadores. A escritora, especialista em Teoria e Crítica da Literatura Infantil e Juvenil e doutoranda em Literatura Brasileira Georgina Martins participará da mesa-redonda “A Leitura e a Literatura Infantil e Juvenil na Escola”, às 9h30. O historiador, doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ e escritor Joel Rufino dos Santos fará uma palestra sobre o tema às 19h.

Confira a programação.

Manhã:

9h - Entrada dos alunos
9h30 - Abertura oficial pela Diretora da Escola de Educação Haydéa Maria Marino de Sant’anna Reis
9h45 - Mesa-redonda “A Leitura e a Literatura Infantil e Juvenil na Escola”: Georgina Martins (Escritora de Literatura Infantil e Juvenil) com “Memórias de Leitura”, Leonor Werneck (Profª. da Pós-Graduação em Literatura Infantil e Juvenil da UFRJ) com “Literatura infantil e juvenil na escola: um contato com múltiplas linguagens”, Cristina Silveira (Educadora) com “Ziraldo na sala de aula” e mediação de Cintia Barreto (Unigranrio - Pedagogia e Letras).
11h10 - Perguntas
11h40 - Sorteios de livros
12h - Encerramento

Noite:

18h30 - Abertura oficial pela Diretora da Escola de Educação Haydéa Maria Marino de Sant’anna Reis
18h45 - Apresentação musical: Idemburgo Frazão (cantor e compositor)
19h10 - Encontro com o escritor e historiador Joel Rufino dos Santos
Debatedores: Cristina Corais (Unigranrio - Pedagogia) e Geraldo Rocha (Unigranrio - Mestrado - História)
20h30 - Perguntas
21h - Sorteio de livros e sessão de autógrafos
21h30 - Encerramento

quinta-feira, 1 de abril de 2010

É mole !?

Dez e meia da manhã e a sétima série está no recreio. Correria, gritaria, futebol, amarelinha, paqueras, brigas e outras ocupações infanto-juvenis. Um CIEP em Nova Campinas, terceiro distrito de Duque de Caxias. Um grupo de crianças brinca próximo à entrada do refeitório. Uma menina liga o MP3 do seu celular e coloca uma música. Um funk. A mistura de sonoridade é grande, incluindo o som do MSN e a chamada da rede Globo. A música rola e o grupo de sete crianças vibra. Rebola pra lá, dançinha pra cá... A música fala “olha o passinho do frevo com o funk”. O frevo, dança de origem popular em Pernambuco, encontra o funk carioca em determinado ponto do espaço-tempo. A galera gostou!
Meninos e meninas dançam e chegam mais crianças. Um menino negro, magrinho e com dentes tortos é o que mais se destaca. Faz uma seqüência de movimentos rápidos com os pés, indo para frente e para trás, de um lado para o outro e de cima para baixo, com harmonia e precisão cirúrgica. Alguns tentam acompanhar e outros apenas apreciam a apresentação. Quem é ele? O Viramundo? Ele sabe que está mandando bem, que todos estão olhando. É a sua Glória. Um garoto puxa seu celular e começa a filmar. Busca o melhor ângulo, a melhor luz e dá um zoom nos pés rápidos do garoto que está dançando frevo com funk. Outros meninos olham atentamente a dança e ensaiam os primeiros passos. É assim, é assado, dizem os que já sabem para os que querem apreender. Realmente, a hora do recreio é o melhor da escola.
Trrrrrimmm!!! Tocou o sinal. Deixam acabar a última música e começam a subir para as salas. O garoto negro com dentes tortos está ofegante e suado. Foi a atração do recreio. O ponto alto do seu dia e talvez de sua semana. A garota que colocou a música disse que ia baixar outras na internet e no dia seguinte traria para a galera ouvir. Enquanto subiam as rampas o garoto que filmou passava o vídeo por Bluetooth para uma menina. Disseram que iam postar no Orkut. Ao chegarem à sala de aula, agitados e com celulares na mão, a professora esbravejou:
- Podem desligar os celulares! Não quero celulares em minhas aulas. Nem sei por que vocês têm essas coisas. Celular é para adultos. Arrumem as fileiras. Não quero ninguém falando. Vou passar um questionário e vai valer ponto. Crianças com celular... É mole!?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Livro na praça com Poesia no poste




Na quarta feira, dia 31/03, o Projeto Livro de Rua em parceria com os grupos, Panela 21, Grupo Cultural Na Pavuna e Os Goliardos irá realizar a ação Livro na Praça com Poesia no Poste.

Onde? Pavuna - Praça Copérnico - Ao lado da saída do metrô.

Quando? Quarta feira, dia 31/03 às 18hs.

Venha curtir Música, poesias, artes plásticas e muitos Livros

Sessão Vertigem / quarta-feira - 31/03



SESSÃO VERTIGEM

QUARTA # QUARTA # QUARTA # QUARTA # QUARTA
DIA 31 – DIA 31 – DIA 31 – DIA 31 – DIA 31 – DIA 31

É a Sessão Vertigem do Cineclube Mate com angu!!!
filmes que vão te deixar tonto, vão tirar sua cabeça do lugar…

Estréia oficial do curta metragem RAZ, de André Lavaquial!!! E muitas outras surpresas!

Após os filmes

festa freestyle com o show do Family Free & DJ Pené Deluxe nas carrapetas

Abra o seu coração, cante uma canção, convide os amigos, venha pra essa ciranda!!!

Onde – Lira de Ouro: Rua Sebastião de Oliveira, 72. Centro, Duque de Caxias. Dia: 31 de março de 2010
Hora 20:30h – Grátis
Como chegar – Busão saindo do Passeio, em frente a Escola de Música da UFRJ – R$ 10,00
confirme seu nome na lista!!! mca@curtacaxias.com.
Tel de contato: (21) 9288-3300 / 9157-2632 / 7601-6700 / 9995-7600/9995 3102

O Mate Com Angu é filiado à ASCINE e ao CNC!
ESPALHEM A NOTÍCIA!
ZATTAZ

domingo, 21 de março de 2010

As três ecologias

Um testículo sobre as três ecologias de Guattari...

Ecosofia

O mundo contemporâneo é marcado pelo grande desenvolvimento dos sistemas técnico-científico, da informática, da robótica, da moderna agricultura, da biotecnologia, das telecomunicações e outros avanços tecnológicos. No entanto, paradoxalmente, ao mesmo tempo em que vemos a evolução tecnológica das sociedades modernas, nos deparamos com um mundo em crise e com inúmeros problemas, como as degradações ambientais, o aumento da miséria, da fome, da desigualdade, da intolerância, da ausência de serviços básicos, como acesso a água potável, educação, saúde, transporte, bens culturais e etc. A medida que o tempo passa, os problemas se acumulam e a crise ambiental, do sistema financeiro e dos valores de nossa sociedade ficam cada vez mais latentes e insuportáveis, sinalizando para a necessidade de mudanças. Quais são nossas alternativas ao atual modelo social, econômico e cultural? Quais caminhos devemos percorrer para a construção de uma sociedade mais justa, solidária, fraterna e sustentável? A antiga disputa leste x oeste que marcou o século xx, ameaçando a própria vida humana no planeta, acabou e deixou órfãos os partidários do socialismo real. Em que direção deve seguir os que lutam pela liberação social?
Felix Guattari, pensador contemporâneo, afirma que o caminho para a superação dos atuais problemas globais deve ser a articulação das três esferas ecológicas – a ambiental, a social e a mental – constituindo uma nova ética-política e estética, a que chama de ecosofia. Tal revolução política, econômica e cultural leva em conta as transformações micro-políticas e micro-sociais presentes no cotidiano dos indivíduos, no seio do casal, na família, no trabalho, na escola, no clube. Essas mudanças alteram os domínios da sensibilidade, da inteligência e do desejo, produzindo novas referências e novos pólos de subjetividade. O autor propõe que nos debrucemos sobre os dispositivos de produção de subjetividade e transformemo-los em direção a uma ressingularização da vida individual e coletiva. Trata-se, portanto, de dar novos significados a vida humana, de construir novas relações sociais, ambientais e políticas.
A ecologia social propõe a construção de novas formas de conviver no socius, nos diversos espaços da vida cotidiana, como a casa, o bairro, no esporte, no trabalho. Trata-se de estabelecer condições reais e concretas para o desenvolvimento de novas práticas e hábitos, baseado em princípios éticos, que darão suporte para novas formas de vivenciar a democracia, de relacionar-se com o meio ambiente, de resolução de conflitos, de conviver com a diferença e de buscar a felicidade. Essas transformações acontecem na minha relação com o outro, alterando também múltiplas escalas com intensidades variadas.
A ecologia mental, por sua vez, busca reinventar a relação do sujeito com o próprio corpo, com o tempo que passa, com seus medos, suas angustias, suas neuroses. É necessária uma forma diferente e superior ao do psicanalista para a resolução dos conflitos em nosso inconsciente. Possivelmente, a aproximação com o artista e com sua forma de expressão pode trazer bons caminhos para sublimar os desejos nocivos e maléficos que povoam nosso espírito, impedindo dessa forma que eles concretizem-se no real.
Já a ecologia ambiental é entendida através de sua ligação intrínseca com o homem e as máquinas. Tal ligação pode ter varias possibilidades, desde catástrofes ambientais às evoluções flexíveis, visto a capacidade humana de transformação e alteração dos ambientes naturais através de suas técnicas. Portanto, cabe ao homem decidir o destino dessa relação, imprimindo-lhe mais degradação ou desenvolvendo mecanismo de conservação e de sustentabilidade.
A superação dos problemas provocados pelo Capitalismo Mundial Integrado (CMI) passa pela reapropriação dos sistemas produtores de subjetividade que este utiliza há décadas, como a mídia e a publicidade, para impor seu ponto de vista, sua verdade e seu mundo, penetrando na sociedade, produzindo desejos, comportamentos e atitudes. É necessário enfrentar o capitalismo no terreno ao qual ele mais atua hoje: na produção de subjetividades. A utilização de dispositivos de produção de signos, de sintaxe, de imagens e de inteligência artificial por uma multidão de grupos-sujeitos pode promover a constituição de novos pólos de produção de subjetividades e a criação de novos valores existenciais e de desejo.
A ecosofia é ao mesmo tempo prática e especulativa e visa substituir as antigas formas de engajamento religioso, político e social. Ela não pretende impor um caminho ou modelo único para a resolução dos problemas, pelo contrário visa ser a expressão de múltiplas de práticas, atitudes e dispositivos que produzam novas subjetividades.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Forum Urbano Mundial



Está no ar a página do Fórum Social Urbano, que ocorre de 22 a 26 de março de 2010. De hoje até o final do evento será publicado notícias, artigos, programas de rádio e vídeos sobre as ações de movimentos e organizações sociais do Rio de Janeiro e do mundo.

Leia a convocatória para saber mais sobre os quatro eixos políticos do Fórum. Estão previstos debates sobre temas como Criminalização da Pobreza e Violências Urbanas; Megaeventos e a Globalização das Cidades; Justiça Ambiental na Cidade; e Grandes Projetos Urbanos, Áreas Centrais e Portuárias.

Confira em www.forumsocialurbano.wordpress.com uma reportagem sobre a especulação imobiliária no Rio de Janeiro, principalmente no Centro da cidade. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, a atuação da prefeitura é reforçada. Cortiços e casas de cômodo são alvos fáceis. Muitos têm como destino se tornarem hotéis, bares chiques e centros comerciais. Escute o conteúdo produzido pela agência de notícias Pulsar Brasil.

E não deixe de mandar a sua contribuição para comunicaçãofsu@gmail.com. Sinta-se livre para contribuir! Este é um meio de comunicação democrático, alternativo e popular a serviço dos que lutam por cidades mais justas.

- Nos bairros e no mundo, em luta pelo direito à cidade,

pela democracia e justiça urbanas -

Rio de Janeiro, Brasil

segunda-feira, 8 de março de 2010

Frei Beto fala sobre a Campanha da Fraternidade 2010


21 de fevereiro de 2010


Artigo de Frei Beto*

O tema da Campanha da Fraternidade 2010, promovida pela CNBB e o CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil), é “Economia e vida”. Lançada na Quarta-Feira de Cinzas, a campanha tem como lema o versículo do evangelho de Mateus: “Não se pode servir a Deus e ao dinheiro” (6, 24). Em plena crise do sistema capitalista, que ameaça as finanças de vários países, o tema escolhido por bispos e pastores cristãos é de suma atualidade no ano em que os eleitores brasileiros deverão escolher seus novos governantes.

A economia, palavra que deriva do grego /oikos+nomos/, “administração da casa”, não deveria ser encarada pela ótica da maximização do lucro, e sim pelo bem-estar da coletividade.

A Campanha da Fraternidade objetiva sensibilizar a sociedade sobre o valor sagrado de cada pessoa que a constitui; criticar o consumismo e superar o individualismo; enfatizar a relação entre fé e vida, através da prática da justiça; ampliar a democracia firmada em metas de sustentabilidade.

Isso significa “denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise, em primeiro lugar, ao lucro, sem se importar com a desigualdade, a miséria, a fome e a morte; educar para a prática de uma economia de solidariedade; conclamar igrejas, religiões e sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça.”

O documento reconhece que “um bom número de brasileiros, na última década, saiu do estado convencionalmente definido de pobreza, mas o Brasil confirma hoje a realidade de enorme desigualdade na distribuição de renda e elevados níveis de pobreza. Segundo o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, em 2007 existiam no Brasil 10,7 milhões de indigentes (ou seja, famintos), e 46,3 milhões de pobres (ou seja, sem acesso às necessidades básicas: alimentação, habitação, vestuário, higiene, saúde, educação, transporte, lazer, entre outras), considerando valor dos bens em cada local pesquisado.”

A parcela da população brasileira que vive em estado classificado, tecnicamente, como de extrema pobreza, continuará a ser indigente, pois não consegue, de modo geral, quebrar esse círculo vicioso, a não ser que a sociedade se organize de outro modo, colocando acima dos interesses de mercado o ser humano.

Na raiz da desigualdade social está a concentração de terras rurais em mãos de poucas famílias ou empresas. Cerca de 3% do total das propriedades rurais do Brasil são latifúndios, ou seja, têm mais de 1.000 ha e ocupam 57% das terras agriculturáveis – de acordo com o Atlas Fundiário do INCRA. É como se a área ocupada pelos estados de São Paulo e Paraná, juntos, estivesse em mãos dos 300 maiores proprietários rurais, enquanto 4,8 milhões de famílias sem-terra estão à espera de chão para plantar.

A lógica econômica que predomina na política do governo insiste em elevar os juros para favorecer o mercado financeiro e prejudicar os consumidores. Basta dizer que governo federal gastou em 2008, com a dívida pública, 30,57% do orçamento da União, para irrigar a especulação financeira. E apenas 11,73% com saúde (4,81%), educação (2,57%), assistência social (3,08%), habitação (0,02%), segurança pública (0,59%), organização agrária (0,27%), saneamento (0,05%), urbanismo (0,12%), cultura (0,06%) e gestão ambiental (0,16%).

E, no Brasil, quem mais paga impostos são os pobres, pois os 10% mais pobres da população destinam 32,8% de sua escassa renda ao pagamento de tributos, enquanto os 10% mais ricos apenas 22,7% da renda.

A Campanha da Fraternidade convida os fiéis a refletirem sobre a contradição de um sistema econômico prensado entre cidadãos interessados em satisfazer suas necessidades e desejos, e empreendedores e agentes financeiros em busca da maximização do lucro. Uma importante parcela da moderna economia capitalista é meramente virtual, decorre de vultosas movimentações de capital, não gera bens e produtos em benefício da sociedade, serve apenas para o enriquecimento de uns poucos com o fruto da especulação financeira.

O ciclo da moderna economia política fecha-se num mundo autossuficiente, indiferente a qualquer consideração ética sobre a vida humana e a preservação da natureza. A evolução da história, a miséria em que vive grande parte da humanidade, põem em questão o rigor e a seriedade dessa ciência e a bondade das políticas econômicas voltadas mais ao crescimento e à acumulação da riqueza do que ao verdadeiro desenvolvimento sustentável.

A CNBB e o CONIC propõem a realização de um plebiscito no próximo 7 de setembro – data da Independência do Brasil e dia do Grito dos Excluídos - em prol do limite de propriedade da terra e em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar. É preciso que haja leis limitando o tamanho das propriedades rurais no Brasil, de modo a evitar latifúndios improdutivos, êxodo rural, trabalho escravo e exploração da mão de obra migrante, como ocorre em canaviais.

O Evangelho, ao contrapor serviço a Deus e ao dinheiro, apela à nossa consciência: as riquezas resultantes da natureza e do trabalho humano se destinam ao bem-estar de toda a humanidade ou à apropriação privada de uns poucos que, nos novos templos chamados bancos, adoram a Mamon, o ídolo que traz felicidade à minoria que se nutre do sofrimento, da miséria e da morte da maioria?

* Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

quinta-feira, 4 de março de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Carta de repúdio do Movimento Xingu Vivo para Sempre

Altamira, 04 de fevereiro de 2010


Carta de repúdio e de indignação do Movimento Xingu Vivo para Sempre contra a liberação da licença prévia da UHE Belo Monte

Nós, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, vimos manifestar nosso repúdio e nossa indignação contra a liberação da licença prévia da UHE Belo Monte, e denunciar o descaso dos órgãos governamentais envolvidos na implantação desta usina, para com o cumprimento das leis que regem esse país, a democracia e o respeito dos direitos fundamentais dos cidadãos e cidadãs brasileiros. No dia 01 de fevereiro de 2010, aqueles que em tese nos representam, ao assinar a famigerada licença, comprometeram o futuro dos povos desta região e de nosso patrimônio maior, o rio Xingu.

Nós, moradores dos travessões da transamazônica, das margens do Xingu e de seus afluentes, das reservas extrativistas e terras indígenas, das áreas rurais e das cidades desta região, construímos nossas vidas ao longo de décadas, com tanto amor, suor e dedicação, em torno do rio Xingu, o coração de nossa região e de nossas comunidades. Organizamos nossas vidas em torno deste rio que sempre foi fonte de vida, muitas vezes a única via interligando nossas comunidades, caminho principal para nossas terras, nossas escolas, nossos cemitérios e sítios sagrados, porta de entrada para o resto do mundo. Nós que temos uma relação de amor e respeito pelo rio, pela vida e pelos povos, não assistiremos de braços cruzados aos desmandos daqueles, que desde Brasília, se crêem legitimamente empoderados para decidir o futuro de nossa região, sem nos consultar, sem nos ouvir, sem nos respeitar e alguns sem ter jamais colocado os pés em nossa região.

Questionamos a atuação dos órgãos governamentais de controle e ambiental no desenrolar desse processo. Denunciamos a rapidez e o atropelo que marcaram as diversas etapas do licenciamento ambiental de Belo Monte e a falta de transparência com a omissão de diversos documentos que deveriam por lei estar disponíveis para a sociedade através do site do IBAMA. Afirmamos mais uma vez, que não fomos devidamente consultados e ouvidos durante o processo, apesar de termos requerido novas audiências públicas e oitivas indígenas junto a diversos órgãos. E ficamos extremamente preocupados com a irresponsabilidade daqueles que concederam esta licença prévia: será possível que as graves lacunas identificadas pela equipe de analistas ambientais nas conclusões do Parecer Técnico do IBAMA no. 114/2009, do dia 23 de novembro de 2009, foram inteiramente sanadas em apenas dois meses, de forma a que este mesmo órgão ateste a viabilidade da obra no dia 01 de fevereiro de 2010?

Não assistiremos passivamente a transformação de nosso território em um imenso canteiro de obras para a construção de uma usina, que não produzirá 11.000 mW (e sim 4.000 mW de energia média!), nem energia barata (as tarifas energéticas no estado do Pará estando entre as mais altas do país!), muito menos limpa (aqui sentiremos para sempre danos socioambientais irreversíveis) e certamente não para este Estado! Nem o rio Xingu, nem nossas vidas estão à venda e portanto não aceitaremos a implantação de uma usina que somente beneficiará o capital das grandes empreiteiras, mineradoras, indústrias siderúrgicas nacionais e estrangeiras.

Somos povos combativos e há 20 anos resistimos à esse projeto. Saibam que nossa luta continua, que a aliança entre os povos da região se fortalece a cada novo desafio, que nossa causa vem conquistando novos aliados à cada dia, ganhando uma dimensão que não conhece fronteiras.

Diante disso, afirmamos que caso a usina de Belo Monte venha a ser executada, todas as desgraças e mazelas oriundas deste projeto estão creditadas na conta de todos aqueles que, em desrespeito à todos os povos da Bacia do Xingu, compactuaram com essa tragédia.


Movimento Xingu Vivo para Sempre!


Marquinho Mota
Assessor de Comunicação - Rede FAOR
faor.comunicacao@faor.org.br
www.xingu-vivo.blogspot.com
(91) 32614334 - FAOR
(91) 8268 4457 - Belém
(93) 9142 4472 - Santarém
Pai da Iamã, da Anuã e do Iroy
Assessoria à Rádios Comunitárias
Viva o Rio Xingu, Viva o Rio Tapajós,Vivos Para Sempre!!!

V FORUM URBANO MUNDIAL NO RJ



Rio de Janeiro vai sediar fórum da ONU sobre Habitação
Os problemas causados pelo crescimento urbano desordenado, pelas mudanças climáticas e as políticas públicas necessárias para tentar saná-los. Esses e outros assuntos estão na pauta de um dos maiores congressos sobre a gestão do crescimento das cidades, o Fórum Urbano Mundial 5, que em 2010 acontece no Rio de Janeiro, entre os dias 22 e 26 de março.
Com o tema central "O Direito à Vida: Unindo o urbano Dividido", as discussões do fórum serão divididas em seis eixos: Levando Adiante o Direito à Cidade; Unindo o urbano Dividido; Acesso Igualitário à Moradia; Diversidade Cultural nas cidades; Governança e Participação; e urbanização sustentável e inclusiva. As inscrições são gratuitas e ainda não têm uma data definida para terminarem.
O fórum, que acontecerá pela primeira vez na América Latina, terá como uma de suas principais características a participação popular nas propostas que serão discutidas durante o evento. Em 2001, a Assembléia Geral das Nações Unidas decidiu realizar a cada dois anos sessões de um Fórum urbano Mundial. Sob a responsabilidade da Agência Habitat das Nações Unidas, e com apoio brasileiro do Governo Federal e do Ministério das cidades, o evento reúne, regularmente, agentes governamentais, personalidades da sociedade civil e do setor privado para examinar um dos problemas mais urgentes que o mundo enfrenta hoje: a rápida urbanização e seu imPACto nas comunidades, cidades, economias, mudanças climáticas e políticas. Hoje em dia, é o congresso mais importante sobre a gestão do crescimento das cidades.
Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), com metade da humanidade vivendo em pequenas e grandes cidades, as projeções para o futuro são que, nos próximos 50 anos, dois terços da população mundial viverão em cidades

site do evento http://www.cidades.gov.br/ministerio-das-cidades/biblioteca/forum-urbano-mundial-5-direito-a-cidade-unindo-o-urbano-dividido/

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fórum Permanete de Cultura de Duque de Caxias.




No dia 29 de janeiro (sexta-feira), às 18h, na Unigranrio (rua José de Sousa Herdy- sala 315 do bloco L), será realizado uma reunião para a criação do Fórum Permanete de Cultura do Município de Duque de Caxias.
Iniciativa importante que merece o apoio e a participação de tod@s.

FAVOR DIVULGUEM EM SUAS REDES!!

VIVA A DEMOCRACIA!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Grandes eventos espotivos no Rio de Janeiro


Entrevista: Luiz Mario Behnken

Flavia Mattar e Jamile Chequer

Da redação colaborou Diego Santos

Copa do Mundo, Olimpíadas e outros grandes eventos esportivos prometem mudar a cara do Rio. Aumento do número de turistas e melhora da economia são os temas que mais aparecem nos noticiários. Mas como será que o evento está sendo pensado no âmbito social? Qual será o legado que devemos exigir? “Não estamos preocupados com o crescimento econômico. Estamos a favor do desenvolvimento social”, diz o economista, conselheiro do Corecon e integrante do Comitê social do Pan, Luiz Mario Behnken.

Ibase: De que forma a sociedade civil está se organizando para acompanhar as decisões relacionadas à Copa e às Olimpíadas?

Luiz Mário: Estamos fazendo mais ou menos como no Pan: convocando todas as organizações da sociedade civil que estejam interessadas em interferir no processo de implementação de um megaevento esportivo. O que aprendemos com o Pan e que vamos fazer agora é uma articulação com as pessoas diretamente afetadas na região das obras. Já temos uma base articulada no entorno do Engenhão, na Lagoa, na Marina da Glória, no entorno da Vila Autódromo etc. Mas sentimos falta, e vamos tentar resolver nesta nova etapa a articulação com esportistas para que façam parte do diálogo. Sabemos que há uma grande dificuldade em convocar o pessoal dos esportes, então vamos investir em ex-atletas, que estão menos comprometidos.


Ibase: Essa mobilização da sociedade civil vai incorporar outros atores como políticos?

Luiz: Não há qualquer alergia em relação aos políticos. Mas temos a certeza que um movimento como esse não pode ser partidarizado e nem direcionado pelos políticos. Cada um tem a sua linha e é legítimo agregarmos essas pessoas, mas eles não podem ser a direção desse movimento ou compromete e desmerece o próprio movimento. O grupo está aberto a esse diálogo. A ideia é agregar instituições representativas que tenham participação mais ativa como o próprio Ibase, a Fase, a OAB, a ABI, e políticos com mais inserção, veradores(as) como Eliomar Coelho, Patrícia Amorim, Andréia Gouvêia Vieira e outros. Eu estou fazendo um trabalho de formiguinha, conversando e esperando as respostas.

Ibase: Na prática, como fica a agenda da articulação?

Luiz: Estamos planejando uma reunião até o início de dezembro para definir uma agenda comum. Em março, queremos realizar um seminário para estabelecer rumos para a ação concreta.

Ibase: Antes das Olimpíadas, acontece a Copa do Mundo. Questões relacionadas a esse evento estarão em discussão pelo grupo?

Luiz: Claro que sim, inclusive, o nome do movimento está em processo de mudança. Já foi pensado em algo como Fórum Social dos Megaeventos Esportivos, mas já falaram que este nome não fica tão bem, então, deve ser algo relacionado aos esportes diretamente. Afinal, quatro grandes eventos serão realizados aqui: Jogos Mundiais Militares, em 2011, Copa das Confederações, em 2013 Copa do Mundo, em 2014 e Olimpíadas, em 2016. Todos esses envolvendo esportes e instalações esportivas.

Ibase: Existe um documento apontando as modificações que precisariam ser feitas para acolher as Olimpíadas. Recentemente, alguns jornais noticiaram a possibilidade de transferir as provas da Barra para outros lugares. Então o projeto original pode ser modificado?

Luiz: Está rolando uma discussão em relação a isso, mas pode ser especulação da imprensa. Parte do comitê, quer manter a Barra. Eduardo Paes e a Rede Globo querem transferir algumas obras para a Zona Portuária e espalhar o evento pela cidade. O projeto original fala sobre a Barra, mas estar no projeto não significa que não é possível modificar. Quem defende o que está no projeto, diz que ele não é modificável, mas basta pegar o projeto do Pan e comparar o que está lá e o que foi implementado e vai ser possível perceber a diferença. Quando o Nuzman, [Carlos Arthur Nuzman, presidente do COI], foi convidado na Câmara dos Deputados para falar sobre o projeto do Pan, a primeira coisa que ele disse foi: “o projeto é feito para ganhar a candidatura, a implementação é outra história.” Se é outra história para o Pan, porque não será para as Olimpíadas? Uma Olimpíada é muito maior que o Pan, ninguém discorda mas a diferença não é tão astronômica assim. A Olimpíada não é dez vezes maior que o Pan, e o orçamento está dez vezes maior.

Ibase: As instalações construídas para o Pan, tinham como promessa a utilização dos complexos para a prática de esportes pela população e formação de novos atletas para Olimpíadas. Esse seria um exemplo de contradição com a fala bonita do papel e a ação de fato. E hoje as instalações não são utilizadas...

Luiz: Eu aprendi que o esporte é divido em esportes de massa, utilizados como políticas educacionais e de saúde e o esporte de alto rendimento, que é o grande motivo de discussão, pois com a realização do Pan, dizia-se que aumentaríamos as condições de nos tornarmos potência olímpica, o que não aconteceu. Nas Olimpíadas de Pequim o Brasil teve desempenho pior do que na edição anterior. O que se vê é que a prioridade do Pan não era o esporte. Por exemplo, o Engenhão nem estava no projeto e depois foi alugado para a iniciativa privada. Os moradores que esperavam uma revitalização ganharam barulho no domingo e especulação imobiliária. A especulação não favorece os moradores da cidade, aumenta-se o valor dos imóveis e também o custo de vida.

Ibase: Quais são os objetivos da articulação?

Luiz: Ainda estão em construção, uma vez que os atores envolvidos ainda não sentaram todos juntos, mas em um ponto vamos bater pé e, pelo menos, eu só fico no movimento se a grande bandeira for a exigência de que todas as intervenções em função desses jogos sejam direcionadas para diminuir a desigualdades social da cidade. E essa decisão tem de estar em todos os documentos. Como fazer isso, se as instalações deverão ser de caráter público, se serão impedidas de privatização é algo a ser discutido. Devemos negociar para que o dinheiro público seja gasto com esse objetivo.

Ibase: A articulação vai precisar fazer bastante barulho...

Luiz: Uma coisa que foi tentada e, pra mim, não obteve sucesso foi aquela mobilização promovida na praia de Copacabana. Todo mundo está com orgulho da cidade, mas não foi uma emoção completamente acrítica. Todo mundo falava “não vamos repetir o episódio do Pan”. As pessoas se preocupam que pode existir corrupção, desvio, favorecimento de alguns etc. Vamos transformar esse sentimento negativo em algo mobilizador para que se consiga um sucesso social real. Se a oportunidade existe para corrupção, existe também para o sucesso. Vamos fazer uma mobilização para levantar essa cidade para algo positivo.

Ibase: A Fiocruz foi a instituição designada para acompanhar o impacto social. Por que a Fiocruz foi escolhida? A instituição teria abertura para um diálogo com a sociedade civil organizada?

Luiz: Especulando, acredito que tenha sido uma tentativa do governo Lula, em aproveitar um órgão com respeitabilidade, e com capacidade de diálogo com seu entorno para centrar algumas questões já que fracassou a criação de uma secretaria especifica no Rio. Durante o Pan havia um escritório para fazer esse acompanhamento. Então, acredito que a indicação da Fiocruz serve para que se tenha um interlocutor com peso político maior para dialogar com os governos Estadual e Municipal. A Fiocruz tem uma trajetória que aponta positivamente para o diálogo.

Ibase: O que você espera que um evento como as Olimpíadas traga de legado social para o Rio de Janeiro?

Luiz: No momento zero, acredito que podemos chegar a 2016 com um índice de desigualdade muito diferente dos encontrados hoje. Um dos sonhos seria de que as Vilas Olímpicas fossem voltadas para a habitação popular e não para a classe média. Habitação puxa transporte, e essa cidade precisa de transporte coletivo. Educação e saúde são também mobilizados pelo esporte, então desejo que esse cenário possa ser favorecido. E, por fim, que as políticas universais tenham espaço e não sejam focalizadas em algumas comunidades, ou determinados segmentos.

Publicado em 18/11/2009.