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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EPIC 2015

A salvação pela literatura

Por Urariano Mota

Nos tempos em que pensei ser professor, sempre tentei dizer a jovens estudantes que a literatura era fundamental na vida de todos. Mas quase nunca tive sucesso nessas arremetidas rumo a seus espíritos. Minhas palavras pareciam não fecundar. Primeiro porque a literatura ministrada a eles, em outras aulas, destruía todo o gozo de viver. Os mestres, profissionais ou burocratas, ensinavam-lhes a anti, a literatura para antas, com listas de nomes, datas e resumos de obras, nada mais. Em segundo lugar eu não fecundava porque o valor do sentimento, o sentido de uma rosa, o cântico de amor ou o desajuste de pessoas em uma sociedade corrupta nada significava para as tarefas mais práticas, que se impunham.

- O que eu ganho com isso, professor?

E com isso, o jovem, quando de classe média, queria me dizer, que carro irei comprar com a leitura de Baudelaire? Que roupas, que tênis, que gatas irei conquistar com essa conversa mole de Machado de Assis? Então eu sorria, para não lhes morder. A riqueza do mundo das páginas dos escritores, a gratidão que eu tinha para quem me fizera homem eu sabia. Mas não achava o que dizer nessas horas quando o petardo de uma frase de Joaquim Nabuco ganhava a zombaria de toda a gente. Eu sorria e me punha a gaguejar coisas estapafúrdias do gênero os poetas são os poetas, Cervantes era Cervantes. E me calava, e calava a lembrança dos sofrimentos e humilhações em vida do homem Cervantes que dignificou a espécie.

- O que eu ganho com isso, professor?

Quando essa pergunta me era feita por jovens da periferia, excluídos, isso me ofendia muito mais que a pergunta do jovem classe média. Aos de antes eu respondia com uma oposição quase absoluta, porque não me via em suas condições e rostos. Mas a estes periféricos, não. Eu passava a ser atingido nos meus domínios, na minha gente, porque eu olhava os seus rostos e via o meu, no tempo em que fui tão perdido e carente quanto qualquer um deles. Então eu não sorria. Aquilo, do meu semelhante, me acendia um fogo, um álcool vigoroso, e eu lhes falava do valor da literatura com exemplos vivos, vivíssimos, da minha própria experiência. (Há um relato sobre isso em “Histórias para adolescentes pobres”.) Então eu vencia. Então a literatura vencia. Mas já não tinha o nome de literatura. Tinha o nome de outra coisa, algo como histórias reais de miseráveis que têm a cara da gente. Mas tudo bem, eu me dizia, que se dane o nome, vence a literatura.

No entanto, agora refletindo enquanto escrevo, descubro que ainda assim havia uma grandiosa derrota nessa vitória de extremo recurso. Eu, o professor, falhava como professor. Quero dizer, eu não acendia a chama em seus corações como um fogo de pentecostes, com o calor de que a literatura é um valor permanente, alto e tão alto que por vezes parece substituir a própria vida. Quero dizer, para ser mais preciso: eu não fazia aqueles adolescentes atirarem-se aos livros, que seriam uma casa, um céu, um amigo, uma amiga, um amor, a namorada. Os jovens se quedavam por momentos diante do relato e depois mudavam de assunto, para outra coisa mais urgente. Afinal, jovens precisam comer, vestir, beber, e pegarem em namoradas mais concretas que um soneto de Camões.

O professor falhava porque prática, grosseira e opressora era a onipresença do mundo das necessidades. A literatura não se inscrevia como uma prática nesse mundo. E prática aqui em dois significados: como um hábito e como uma intervenção útil, pragmática. A literatura se opunha ao mundo prático. Na visão de todos, ela era como um luxo, um caviar... mas me expresso mal, porque o luxo é desejado, o caviar é querido. Era muito pior: a literatura roubava o tempo que deveria estar empregado em outra coisa. Que coisa? Qualquer coisa, coisa qualquer. Os passatempos mais estúpidos seriam mais necessários que essa inominável que furtava energias, dinheiro e ações dignas de serem vividas.

- Em vez de estar lendo, você devia...

Então eu não mais sorria. No mais íntimo de mim eu me julgava, eu me sabia certo como um neurótico. Tudo era o contrário do que eu pensava, mas eu estava certo. Certo como um neurótico silencioso. Pois que louco eu seria a proclamar as venturas da literatura quando todas e quaisquer coisas eram mais venturosas?

Esta semana uma jovem míope, tímida, com 19 anos, deu uma substância e um conforto a essa qualquer coisa, coisa qualquer que para nada serve, que furta o tempo e deixa os seus cultores neuróticos, malucos ou esquizofrênicos. Na altura em que a mocinha atravessava um momento difícil, prestou concurso para uma bolsa de estudo na Alemanha. Pois esta semana saiu o resultado: ela foi um dos três jovens escolhidos. E por isso viaja, e por um ano terá bolsa líquida e livre de 600 euros, e mais universidade, casa e alimentação. Mas como, eu perguntei a ela, como você conseguiu, se não é uma falante de alemão? Ao que ela, em seu espírito verdadeiro, me respondeu:

- Eu fui salva pela literatura. Em minha carta contei como Goethe entrou em minha vida.

Ah, sabem? Hoje é domingo, faz sol, tudo é luz. O neurótico aqui dedica à jovem esta crônica.

Retirei o texto desse link http://www.novae.inf.br

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pré-conferência de Cultura na Casa Brasil

No dia 25/07, das 9:00 as 14:30, aconteceu a pré-conferência de Cultura na Casa Brasil, em Imbariê. Esse encontro visava acumular as discussões para a III Conferência Municipal de Cultura, que ocorrerá em de novembro. Esta por sua vez, precede as conferencias estaduais e a nacional, prevista para março de 2010, fechando um amplo processo de discussões sobre políticas públicas para a Cultura em nosso país.
Estiveram presentes na pré-conferência cerca de 40 pessoas de diversos grupos populares do 3° distritos, além de outros participantes. Vários assuntos foram abordados e destacarei alguns pontos que considero importante debatermos.

1-Estamos atravessando um processo de mudanças na Lei de incentivo à cultura, a lei Rouanet. Essas mudanças visam equilibrar a distribuição dos recursos para que todos os produtores culturais, não só os grandes e famosos, recebam financiamento.
2-Em Duque de Caxias, já possuímos um Fundo Municipal de Cultura, porém uma serie de empecilhos burocráticos impede a utilização dos recursos. É necessário dar transparência ao fundo e criar mecanismos democráticos para a distribuição dos recursos entre os produtores culturais e artistas em geral.
3-Foi sugerida a construção de um fórum permanente de discussões sobre a cultura no 3° distrito. A primeira reunião está marcada para o dia 22/08/09, as 10:00, na Casa Brasil. Tod@s estão convidados.

O coletivo BoraCaxias tá na área e busca contribuir no debate e na socialização das informações. Essa cidade é nossa e vamos lutar para torná-la um lugar melhor para se viver. Também sabemos que para as coisas melhorarem é fundamental a participação da sociedade nas discussões e na disputa política.

Participem dos debates.
e...
BoraCaxias

Livro de Rua na FEBF

No dia 21/07 foi inaugurada a Biblioteca da Liberdade na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense. Foram libertos 200 livros e houve passagem de sala para explicar à comunidade acadêmica como funciona o projeto. Tivemos uma boa receptividade e rapidamente muitos livros foram pegos. Recebemos bastante apoio e alguns professores e alunos já se disponibilizaram em doar livros para que o projeto cresça mais.
Nós, do coletivo BoraCaxias, participamos e acreditamos nesse importante projeto de democratização ao acesso a leitura. Para o segundo semestre de 2009 estamos programando uma mesa de discussão sobre o acesso a leitura no país, buscando entender o papel do Estado, do setor privado e da sociedade civil para a construção de um país de leitores.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Assinem o O Manifesto por um Brasil literário

O Manifesto por um Brasil literário é uma iniciativa de um grupo de instituições e pessoas envolvidas com a leitura literária no país. Este documento pretende ampliar o debate em torno da importância da leitura de livros de literatura, acolher propostas e engajar o maior número de pessoas em torno desta causa. É o primeiro passo para a criação de um Movimento por um Brasil literário.


http://www.brasilliterario.org.br/participe.php


http://livroderua.wordpress.com/

Participem

Manifesto por um Brasil literário

Manifesto por um Brasil literário

O Instituto C&A, se somando às proposições da Associação Casa Azul – organizadora da Festa Literária Internacional de Paraty -, à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, ao Instituto Ecofuturo e ao Centro de Cultura Luiz Freire, manifesta sua intenção de concorrer para fazer do País uma sociedade leitora. Reconhecendo o êxito já conferido, nacional e internacionalmente à FLIP, o projeto busca estender às comunidades, atividades mobilizadoras que promovam o exercício da leitura literária.

Reconhecemos como princípio o direito de todos de participarem da produção também literária. No mundo atual, considera-se a alfabetização como um bem e um direito. Isto se deve ao fato de que com a industrialização as profissões exigem que o trabalhador saiba ler. No passado, os ofícios e ocupações eram transmitidos de pai para filho, sem interferência da escola.

Alfabetizar-se, saber ler e escrever tornaram-se hoje condições imprescindíveis à profissionalização e ao emprego. A escola é um espaço necessário para instrumentalizar o sujeito e facilitar seu ingresso no trabalho. Mas pelo avanço das ciências humanas compreende-se como inerente aos homens e mulheres a necessidade de manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas.

Por outro lado, existe um uso não tão pragmático de escrita e leitura. Numa época em que a oralidade perdeu, em parte, sua força, já não nos postamos diante de narrativas que falavam através da ficção de conteúdos sapienciais, éticos, imaginativos.

É no mundo possível da ficção que o homem se encontra realmente livre para pensar, configurar alternativas, deixar agir a fantasia. Na literatura que, liberto do agir prático e da necessidade, o sujeito viaja por outro mundo possível. Sem preconceitos em sua construção, daí sua possibilidade intrínseca de inclusão, a literatura nos acolhe sem ignorar nossa incompletude.

É o que a literatura oferece e abre a todo aquele que deseja entregar-se à fantasia. Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do provável. Sua fundação reflexiva possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado.

A leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive. Compreendendo a literatura como capaz de abrir um diálogo subjetivo entre o leitor e a obra, entre o vivido e o sonhado, entre o conhecido e o ainda por conhecer; considerando que este diálogo das diferenças – inerente à literatura – nos confirma como redes de relações; reconhecendo que a maleabilidade do pensamento concorre para a construção de novos desafios para a sociedade; afirmando que a literatura, pela sua configuração, acolhe a todos e concorre para o exercício de um pensamento crítico, ágil e inventivo; compreendendo que a metáfora literária abriga as experiências do leitor e não ignora suas singularidades, que as instituições em pauta confirmam como essencial para o País a concretização de tal projeto.

Outorgando a si mesmo o privilégio de idealizar outro cotidiano em liberdade, e movido pela intimidade maior de sua fantasia, um conhecimento mais amplo e diverso do mundo ganha corpo, e se instala no desejo dos homens e mulheres promovendo os indivíduos a sujeitos e responsáveis pela sua própria humanidade. De consumidores passa-se a investidores na artesania do mundo. Por ser assim, persegue-se uma sociedade em que a qualidade da existência humana é buscada como um bem inalienável.

Liberdade, espontaneidade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância. Tais substâncias são também pertinentes à construção literária. Daí, a literatura ser próxima da criança. Possibilitar aos mais jovens acesso ao texto literário é garantir a presença de tais elementos – que inauguram a vida – como essenciais para o seu crescimento. Nesse sentido é indispensável a presença da literatura em todos os espaços por onde circula a infância. Todas as atividades que têm a literatura como objeto central serão promovidas para fazer do País uma sociedade leitora. O apoio de todos que assim compreendem a função literária, a proposição é indispensável. Se é um projeto literário é também uma ação política por sonhar um País mais digno.

Bartolomeu Campos de Queirós
Junho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009

15° congresso da União Estadual dos Estudantes (UEE-RJ)




Já está disponível a programação do 15o. Congresso da UEE-RJ. que acontecerá nos dias 3, 4 e 5 de julho na cidade de Volta Redonda. Shows, debates e oficinas são algumas das atividades preparadas para os cerca de 800 estudantes universitários que estarão presentes no Congresso. A inscrição para o Congresso (que inclui alimentação, alojamento, certificado de 25 horas extras curriculares e transporte) está em R$ 20,00. Confira abaixo a programação.



Sexta-feira, 03/07:
Credenciamento (20 – 24 hs):
Local: Memorial Zumbi dos Palmares
Festa (23 – 04 hs):
Festa de Abertura do Congresso
Local: Escondidinho Tiradentes
•Banda da UGB Pop
•Banda de Pagode

Sábado, 04/07
Credenciamento (09 – 12 hs):
Local: UGB

Grupos de discussão (09 – 12 hs):
Local: UGB - Aterrado
1. Assistência Estudantil: meia-passagem e meia-entrada (Facilitador: Daniel Iliescu)
2. Estatuto da UEE-RJ (Facilitador: Ian Angeli)
3. Segurança Pública e Direitos Humanos (Facilitador: Marcelo Freixo)
4. O Movimento Estudantil e o Meio Ambiente (Facilitador: Marco Antônio)
5. Democratização dos Meios de Comunicação
6. As mulheres e o movimento estudantil (Facilitadora: Clarissa Alves)
7. A Construção da rede de CUCAs (Facilitador: Fellipe Redó)
8. A Legalização das Drogas (Facilitador: Renato Cinco)
9. Pré-Sal (Facilitador: Brizola Neto)
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Espaço CUCA (09 – 12 hs):
Local: UGB - Aterrado
•Oficina de Stencil e Grafite
•Oficina de Expressão Corporal
•Oficina de Circo
•Oficina de Libras
•Passeio pela CSN

Almoço (12 - 13 Hs)
Local: Bar Texas – Aterrado

Ato Político (14 – 17 hs): “Os Estudantes e os trabalhadores não vão pagar pela Crise”
Local: Praça Juarez Antunes
17 horas: Homenagem aos 40 anos do “Poder Jovem” de Arthur Poerner.
Local: Memorial Zumbi dos Palmares

Credenciamento (17 – 20 hs):
Local: Memorial Zumbi dos Palmares

Debates (17 – 20 Hs):
1- A Crise do Capitalismo e o Projeto de Nacional Desenvolvimento
Local: Auditório do Gassens
•Luis Fernandes (FINEP)
•Miguel Rosseto (Petrobras)
•Roberto Amaral (Ex-ministro de C&T)
•Daniel Iliescu (UEE-RJ)

2- Reforma Universitária
Local: Memorial Zumbi dos Palmares
•Aloísio Teixeira (UFRJ)
•Ricardo Vieralves (UERJ)
•Cícero Fialho (MEC)
•Lúcia Stumpf (UNE)
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Festa (23 – 04 hs):
Local: Clube Vip (Aterrado)
•Rimarx
•Ranieri

Domingo, 05/07:
Local: Ginásio do Recreio dos Trabalhadores.
Homenagem a Augusto Boal e Esquete Teatral (10 - 11hs)
Plenária Final (11 – 14 hs)
Almoço (14 horas)
Saída dos ônibus (16 horas)